Uma recaída as vesperas de completar 6 meses

As últimas semanas foram corridas, estressantes, com uma série de decisões importantes para se tomar. A ansiedade foi a mil!!! Eu bebi em todas as oportunidades de lazer e relaxamento. Eu parei de meditar. Eu me alimentei mal nos últimos meses. Eu ganhei alguns quilinhos. E sábado passado eu fumei um cigarro em um bar. 

Nos 3  dias anteriores a minha recaída eu senti uma vontade crescente de fumar um cigarro. Esta vontade vinha junto com um sentimento de asco. Um sentimento de não quero fumar! Junto de um pensamento que é quase uma voz dentro da minha cabeça que me diz assim: 

Hoje o cigarro representa tudo o que eu não quero na minha vida!

Todas as pessoas fumantes que encontrei nesta semana me chamaram a atenção de alguma forma. Seja por ver que fumam escondidas dos filhos, seja por não terem lugar nos bares e fumarem na calçada. Algo no comportamento delas fazia despertar um pensamento insessantemente na minha cabeça: que bom que não preciso mais fumar! Um sentimemto enorme de gratidão por mim mesma, pela minha força de vontade, por meus novos valores, inundava minha mente e me fez sentir forte por não fumar.

Antes de falar do meu maldito cigarro, acho que é valido falar sobre um insight que tive alguns meses antes quando o Sergio fumou um cigarro no sítio de um amigo. Estavamos fazendo um churrasco, bebemos o dia todo e no início da noite ele fumou. Quando eu o vi, fiquei desapontada. Me segurei pra não brigar e decidi ir dormir, na manhã seguinte eu me dei conta de como é díficil não fumar. E de como eu não tinha direito algum em me sentir desapontada em relação ao Sergio ter uma recaída.

Parar de fumar é uma coisa que a gente faz sozinho. É uma coisa que só dá pra fazer por si mesmo. É uma das coisas mais difíceis que eu já fiz.

Então voltando ao meu fatídico final de semana, as vesperas de completar 6 meses sem fumar,  no dia 28/05 fomos ao aniversário de um amigo em um bar. Antes de sair de casa eu disse pro Sergio que estava tendo vontade de fumar nos últimos dias… Que era uma vontade, mas que eu não queria voltar a fumar. 

No bar reencontramos um monte de amigos que não viamos a um bom tempo e a maioria quase absoluta fuma o careta. O bar tem uma parte descoberta e permite que as pessoas fumem lá. Bem aonde o Dudu nosso amigo e aniversariante estava fazendo um som legal, e aonde  nossos amigos estavam conversando, se divertindo e fumando.

Em uma determinada hora da noite, já completamente bêbada, eu pedi um cigarro para alguém e fumei. Eu senti o formigamento que ele proporciona na boca, nos dedos, me deu até um barato, uma leveza, uma dormência e fiquei um pouco zonza. Eu relembrei de todos os maravilhosos prazeres da nicotina. O Sergio me viu fumando de longe o finalzinho dele, veio até mim, falou comigo alguma coisa, e acabei percebemdo que ele também fumou.

Quando fomos embora, no caminho de casa, o Sergio parou no postinho pra comprar uma heneiken e eu ouvi ele pedindo um maço de cigarros. Eu tive vontade de gritar do carro, dizendo pra ele não fazer isso. Mas ao invés de fazer uma cena, ouvir estas palavras despertaram em mim um sentimento estranho, uma necessidade de me proteger.

Quando ele voltou e a gente seguiu pra casa, eu perguntei a ele se tinha comprado um maço e ele disse que sim. Não me lembro exatamente das minhas palavras, mas eu disse algo sobre a nossa casa ser sagrada pra gente, e que eu não queria que a gente levasse o maço pra lá. Foi uma conversa tranquila. Ele concordou, pegou o maço ainda lacrado no bolso, olhou pra ele, pôs a mão pra fora da janela e jogou na calçada (a gente não joga lixo na rua, não me orgulho da cena) mas me orgulho muito da ação. 

Ele jogou o maço e nós dois ficamos aliviados. No domingo de manhã eu tive uma das piores ressacas dos últimos tempos, só me recompus depois do meio dia. Não tive vontade de fumar. Conversei com o Sergio sobre o que rolou e foi muito bom reafirmar nossa vontade de permanecer sem o cigarro na nossa vida.
Foi uma lição. Eu estive muito próxima de jogar tudo que eu conquistei fora. Fiz uma nota mental: 

É muito fácil acender um cigarro

É preciso ficar atento aos sinais que podem nos levar a cair na tentação de voltar a fumar. Por vezes pode ser é melhor evitar lugares, hábitos e até pessoas quando sentimos essa vontade reacender dentro da gente. Não digo pra evitar pra sempre, pra desfazer amizades, nada disso! Digo pra ficar alerta em relação a si mesmo. E quando se perceber fragilizado, redobrar os bons hábitos e evitar com afinco as situações que podem nos fazer perder o controle. 

Publicado por Keylla García

Terapeuta integrativa apaixonada por Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa. Estuda e desenvolve técnicas para o controle e alívio do estresse desde 2021. Escritora, bióloga, fotografa, videomaker, webdesigner... uma pessoa que segue, confiantemente, em direção aos seus sonhos.