O dilema das redes sociais

Quando tenho uma questão que considero pessoal demais, fico receosa de dar um google. Não quero que estas informações fiquem relacionadas ao meu algoritmo de busca. Ou que fiquem relacionadas ao algoritmo de busca da minha família quando compartilhamos um computador. Mas por que eu estou me sentindo assim? Porque os anúncios tem se tornado cada vez mais personalizados. E eu sei que não é por eu estar com uma dúvida, ou por estar interessada em um determinado assunto que eu quero comprar alguma coisa de alguém. Ou que eu queira adquirir mais um curso online sobre como viver a vida…

É tudo tão conectado que eu dou um google, ou converso com alguém pelo whatsapp sobre um interesse novo e em pouco tempo aparecem os links patrocinados no meu instagram. Em pouco tempo um novo perfil me segue e curte uma foto minha, e milagrosamente como mágica é exatamente um serviço que pode resolver o motivo de ter dado um google.

Eu nunca me toquei que por não pagar pelos serviços do google, por não pagar para usar o instagram, o youtube, o facebook e o twitter, eu não sou cliente destes apps. Sou o produto que eles vendem para seus clientes. Quem são os clientes? Empresas e pessoas que anunciam nestas plataformas.

Deliberadamente eu abro mão da minha privacidade pra me conectar com quem eu amo, com quem eu conheço, com quem eu trabalho… E no percurso de tudo isso eu me sinto mal. No frigir dos ovos, entre uma foto e outra, eu me sinto mal, por não ter tantas curtidas, por não ter tanta perfeição no meu cotidiano quanto vejo na tela do meu celular.

Já tem um tempo que eu me pergunto, como posso fazer o meu trabalho sem as redes sociais? E ainda não consegui solucionar isso. Meus clientes me encontram através destas plataformas, assim como eu encontro o que quero através das mesmas plataformas. Então por que é que eu não me sinto bem no final das contas? Por que isso seria um problema?

Este documentário “O dilema das redes sociais” fala exatamente sobre isso. Foram entrevistados inúmeras pessoas que trabalham na industria da tecnologia, que criaram e desenvolveram estes algoritmos e que expõem o quanto estão preocupadas com o uso sem regulação ou com pouca regulação dos apps. Estão preocupadas com o impacto das redes sociais em suas vidas, na vida de seus filhos, de seus alunos, das crianças, dos adolescentes, dos adultos, dos idosos… Afinal de contas, estamos todos lá conectados. O Documentário levanta questionamentos éticos que precisam ser debatidos urgentemente.

Nos 5 minutos finais do documentário, estas mesmas pessoas que foram entrevistadas nos contam o que fazem em suas vidas cotidianas para se resguardar do vício e do excesso de exposição. Eu anotei e compartilho aqui com você o que elas fazem:

  1. É possível mudar isso? Sim, através da força de vontade coletiva.

2. Reconhecer que é um problema. Reconhecer que as redes sociais não são perfeitas. Falar sobre o que não é perfeito nas plataformas, para que designers e criadores encontrem esta demanda e possam criar algo novo à partir destas discussões.

3. Desinstalar apps que desperdiçam o seu tempo, apps de redes sociais, novos apps instalados… fazer uma limpa nos smatrphones, tablets e computadores pessoais.

4. Desabilitar TODAS as notificações. Todas!

5. Utilizar o site http://www.qwant.com para fazer buscas no lugar do google. Este site não guarda o histórico de suas buscas e não sugere os links na primeira página de resultados de forma personalizada como o google faz. Não toma a decisão por você, do que é relevante pra você e do que você deve ler sobre aquele assunto.

6. Nunca clique eu um vídeo recomendado para você pelo youtube, sempre escolha ativamente o que você assiste. (O mesmo vale para os links patrocinados nas redes sociais)

7. Instale extensões do Chrome que removem as recomendações.

8. Antes de compartilhar alguma coisa, cruze informações, veja outras fontes, pesquise. Se parecer que algo foi criado para te desestabilizar emocionalmente, saiba que provavelmente foi criado para isso.

9. Nossos cliques são poderosos. Dependendo do que clicamos isso gera um incentivo financeiro que perpetua o sistema como ele é hoje.

10. Obtenha diferentes informações por conta própria. Siga pessoas que pensam diferente de você. Pessoas das quais vocês discorda, para que você seja exposto a diferentes pontos de vista.

11. Saiba que muitas pessoas que trabalham na industria da tecnologia não permitem que seus filhos utilizem nenhum tipo de tela.

12. Saiba que muitas pessoas que trabalham na industria da tecnologia não permitem que seus filhos utilizem redes sociais antes dos 16 anos de idade.

13. Decida em família quanto tempo por dia seu filho vai passar na frente da tela. Inclua os filhos no processo de decisão. Pergunte quanto tempo do dia deles, eles consideram ideal de estarem conectados.

14. Determine um horário à noite para guardar os aparelhos conectados a internet (celulares, smartphones, tablets, notebooks, desktop), não permita que os smartphones fiquem no quarto de dormir. Pode ser 30 minutos antes do horário de dormir, pode ser uma hora… defina isso em família.

15. Saia do sistema. Delete as contas em apps e redes sociais que não te fazem bem.

Este documentário explica como os algoritmos funcionam, apresenta dados bizarros como o fato de uma fake news ter 6 vezes mais engajamento do que uma notícia verdadeira. É muito sério isso, tem um impacto enorme na nossa sociedade. Esta impactando os processos eleitorais e comprometendo a democracia de muitos países. É um ponto de partida pra repensar a relação com as redes sociais. Se este assunto também te incomoda, ou se ele te interessa, eu vou sugerir que você visita os sites: http://www.thesocialdilema.com e https://www.humanetech.com/

Vamos falar sobre o assunto?

Publicado por Keylla García

Terapeuta integrativa apaixonada por Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa. Estuda e desenvolve técnicas para o controle e alívio do estresse desde 2021. Escritora, bióloga, fotografa, videomaker, webdesigner... uma pessoa que segue, confiantemente, em direção aos seus sonhos.