Cortando o Glúten e a Lactose pela raiz

As lições que precisam ser aprendidas nesta existência
continuam a se apresentar infinitamente
Cada pessoa com suas lições, cada lição com suas nuances

Na vida não cabe se esquivar
Não é possível virar a página antes de aprender

A pessoa pode fingir que não é consigo
pode ignorar, pular capítulo…
Passam se os anos e a lição retorna

Em 2014 fiz um exame de intolerância a lactose (como o tempo voa). Na época eu tentei viver sem queijo por um tempo, foi difícil. Estava decidida a ignorar o fato, quando pedi uma segunda opinião para um amigo clinico geral, um médico humanista com formação em Acupuntura. Marquei uma consulta, fui. Ele me disse que não bastava parar de ingerir lactose, ou tomar lactase antes de uma refeição com derivados do leite. Ele disse que o problema real são as proteínas do leite. Disse que meu intestino estava inflamado e que no longo prazo isso poderia trazer complicações.

Eu perguntei se não era o caso de fazer um exame de intolerância ao glúten. A resposta foi taxativa: Keylla, você não precisa fazer mais um exame, o glúten também contribui para a inflamação dos intestinos. Você também vai se beneficiar ao excluir o glúten da dieta.

Meus sintomas não eram nada demais, eles remetiam a síndrome do intestino irritado. Eu ia ao banheiro mais de uma vez por dia, e as fezes eram moles ou líquidas. Na época eu li o livro: Barriga de Trigo do autor William Davis. E fiquei mais de 90 dias sem consumir trigo, mas o queijo (e por queijo quero me referir também ao creme de leite, a manteiga, ao requeijão, ao iogurte natural…) embora tenha tentado excluir da minha dieta, confesso que não tive força de vontade o suficiente pra ficar sem, e com o passar do tempo até me esqueci que o exame deu positivo para intolerância a Lactose.

Seis anos depois, em plena quarentena do Coronavírus, vejo minha alimentação aumentar substancialmente no consumo de massas e de derivados do leite. Eu que não comia macarrão a alguns anos, voltei a comer. Pois eis que aquela lição não aprendida em 2014 me salta literalmente aos olhos. E o canto do meu olho direito inflama e fica vermelho, hoje faz duas semanas que está assim. Fui ao oftalmologista acreditando se tratar de uma conjuntivite, com medo de ser um sintoma da Covid-19, fiz o exame PCR para o novo coronavírus: negativo. Diagnóstico do oftalmologista? Episclerite.

– Não preocupe, ter episclerite uma vez não é motivo para investigar. Vamos tratar com um colírio anti-inflamatório e se voltar a acontecer, se passar a ser reincidente vamos investigar uma possível Doença Reumatológica.

– Oi?

Não pude deixar de pesquisar episclerite e doenças reumatológicas na web. Não apenas no Google, mas também no Google Acadêmico e no site Qwant (um buscador mais recente que se propõe a ser menos tendencioso e a não ter anúncios).

Lendo um pouco sobre as doenças reumatológicas encontrei uma ligação com inflamação dos intestinos. Foi aí que me lembrei de 2014, da intolerância alimentar. Não pude ignorar uma possível relação. Me vi – me vejo na verdade – de frente com a mesma lição de 6 anos atrás. Uma lição alimentar.

Vislumbro duas possibilidade: Posso ignorar e seguir a vida até que ela se apresente de uma forma mais grave como uma doença autoimune. Ou posso aprender e encontrar a força de vontade que preciso para mudar meus hábitos alimentares.

Você que me lê até aqui, pode pensar que estou tendo uma reação exagerada. Que estou visualizando o pior cenário. Que o médico disse pra não me preocupar, que a bula do colírio disse pra não investigar se não for reincidente, que não tenho provas de que alterar minha alimentação vai realmente evitar uma possível doença mais grave. Mas algo dentro de mim, me lembra deste episódio de 2014. E pela minha experiência de vida todas as vezes que ignorei minha intuição, não costumo ignorar minha intuição. Mas todas as vezes que ignorei, eu me ferrei de alguma forma.

Por isso, o poeminha acima, escrito por mim, como uma introdução ao post. Eu já mudei hábitos escrevendo aqui no blog: quando parei de fumar me ajudou muito ter este espaço para compartilhar minhas desventuras. Espero que este post, seis anos depois do meu diagnóstico de intolerância à lactose, seja um marco da mudança de hábitos alimentares que a tantos anos tento inserir em minha vida. Tá aí uma meta, em tempo, pra 2021. Começo agora mesmo, nesta época de festividades, pouco antes do Natal. Se você leu até aqui me mande boas vibrações =)

Publicado por Keylla García

Terapeuta integrativa apaixonada por Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa. Estuda e desenvolve técnicas para o controle e alívio do estresse desde 2021. Escritora, bióloga, fotografa, videomaker, webdesigner... uma pessoa que segue, confiantemente, em direção aos seus sonhos.