Diário de uma pandemia . Ano 2

Em 2020 a humanidade desenvolveu o medo de superficie. Ninguém queria tocar em nada, se tocar, precisava de passar álcool gel, de lavar as mãos. De deixar secar naturalmente porque a toalha não é segura, nem mesmo a toalha da própria casa é segura. Maçaneta da porta muito menos.

Em 2020 a humanidade desenvolveu o medo da tosse. Uma pessoa tossindo passou a ser algo de arrepiar. Você escuta o vizinho no apartamento ao lado, ele engasgou e tossiu. O primeiro pensamento é que a pandemia está mais perto do que você imagina. Fechamos a janela pensando que é uma boa forma de impedir o vírus de entrar pelo ar. Será que ele entra pelo ar? Quanto tempo sobrevive no corredor do prédio? É melhor não arriscar.

Em 2020 a humanidade desenvolveu o medo do perdigoto. Uma pessoa falando do outro lado da rua, observamos. Ela está sem máscara. Gotículas saem de sua boca enquanto ela diz algo pra outra pessoa. Só conseguimos ver as gotículas, possivelmente cheias de vírus e contaminação. Não é seguro caminhar pelas ruas. Não é seguro conversar pessoalmente.

Em 2021 a humanidade consegue dados suficientes para comparar a Covid19 com a Sars2 e com a MerS. Ambas doenças mais letais que o Covid. Já se sabia em 2020, mas ninguém prestou atenção. Ninguém presta atenção nisso em 2021. Porque é que tantas fobias se tornaram comuns em 2020? Quem escolheu considerar a pandemia Covid19 extremamente preocupante? Questionamentos feitos por ninguém em lugar nenhum.

As grandes fortunas se amontoam, a indústria farmacêutica nunca foi tão lucrativa. Já estava em ascensão há alguns anos, mas os acionistas queriam mais. Pesquisa e produção de vacinas, testes em massa. Seringas, máscaras, álcool gel, copos descartáveis. A humanidade passou a acreditar que o plástico seria a grande solução. Ondas de lixo plástico nos mares podem ser uma atração turística?

Em 2021 as vacinas prometem normalidade. Os políticos usam tudo o que podem para semear o caos. No Brasil, nada faz sentido. Aprovam-se a venda de vacinas sem licitação, sem liberação da Anvisa. Tudo que a humanidade quer é se segurar em uma esperança injetável. O presidente do Brasil consegue uma liminar pra proteger seu cartão de vacinação por 100 anos.

Estamos em janeiro de 2021. É dia 10.

Publicado por Keylla García

Terapeuta integrativa apaixonada por Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa. Estuda e desenvolve técnicas para o controle e alívio do estresse desde 2021. Escritora, bióloga, fotografa, videomaker, webdesigner... uma pessoa que segue, confiantemente, em direção aos seus sonhos.