O diagnóstico para Espondilite Anquilosante

Na minha busca por investigar uma possível doença reumática, aconteceu de receber o diagnóstico para Espondilite Anquilosante dia 14/01/21.

E desde então eu me vi triste e perdi o sono sábado a noite enquanto experimentava uma sensação sufocante de medo… A Alice levantou e me distraiu conversando comigo.

Sabe, eu não fiz todos os teste possíveis. Na verdade o primeiro Reumatologista que fui pediu exames pra artrite reumatoide. Eu testei negativo pro fator reumatoide, e nada apareceu no raio x do quadril. E o médico disse: seu problema não é reumatológico, volte ao oftalmologista e procure um ortopedista pra ver essa dor que você sente. Ele se recusou a pedir qualquer exame adicional e concluiu dizendo que a Reumatologia não podia fazer mais nada por mim.

Eu saí do consultório em choque, sabia a dor na região do sacro é característica da Espondilite que ele não investigou e que pra aparecer alguma coisa no raio x podem passar de 10 a 15 anos do início da dor, e eu tenho essa dor a uns 5 anos…

Mas o que é a Espondilite anquilosante (EA) afinal?

É um transtorno inflamatório de causa desconhecida, caracterizado por artrite da coluna vertebral e das articulações sacroilíacas, oligoartrite de articulações periféricas e inflamação de locais de inserção de tendões, ligamentos e cápsulas articulares.

E foi exatamente essa dor na região sacroiliaca, junto com a episclerite desde do dia 08/12/20 e o fator reumatoide negativo, e o exame clínico com várias perguntas que levaram o segundo reumatologista ao diagnóstico de Espondilite.

Em geral, a doença surge na segunda ou terceira décadas de vida, é mais comum em homens do que em mulheres, na proporção de 3:1.

Ocorre aumento gradual de rigidez nas costas e uma dor que se irradia até as nádegas; os sintomas evoluem em uma direção ascendente. Na doença avançada, pode ocorrer fusão de toda a coluna vertebral.

Não consigo imaginar um desfecho mais aterrorizante, é como se eu estivesse lendo o livro da minha vida e de repente eu viro a página e tem uma trajédia escrita ali… E está escrita, não tem como alterar, já foi publicada e vendida, best-seller e tudo o que eu queria era parar de ler o livro da minha vida.

O segundo médico disse que existem outros exames que eu posso fazer, mas ele não pediu os exames. Ele prescreveu um anti-inflamatório pra tomar por 40 dias e aí sim, voltar ao consultório. Mais uma vez estava eu ali em choque, eu não consegui insistir pelos pedidos de exame. Como me cobrei por isso ao sair do consultório. Como eu ainda me cobro por não ter batido o pé e insistido.

Chegando em casa eu contei pra minha família, sentei na frente do computador, baixei vários artigos científicos e um livro médico em PDF sobre as espondilites e li, li e li por horas…

Li que a Espondilite Anquilosante está correlacionada com positividade para o gene HLA-B27 e os testes para fator reumatoide sérico e anticorpos antipeptídeo citrulinado cíclico (anti-CCP) têm resultado negativo.

O laboratório Hermes Pardini, onde faço a maioria dos meus exames tem esse teste HLA-B27, mas só faz com pedido médico…

Em pacientes com EA, a atividade da doença pode ser medida com a ajuda de marcadores séricos inflamatórios inespecíficos, como a proteína C reativa (PCR) e a velocidade de hemossedimentação (VHS), ou por meio de um questionário padronizado, como o Bath Ankylosing Spondylitis Disease Activity Index (BASDAI).

Opa! Mais testes que eu posso fazer. Se tem pelo menos 3 exames de sangue que eu poderia fazer pra ter certeza do diagnóstico, porque é que o médico não pediu mais exames? Sem contar a ressonância magnética, visto queno raio x só mostra alterações em doenças avançadas.

Naquela noite que eu perdi o sono e fiquei chorando na mesa da sala, conversando e pensando nas coisas que eu poderia fazer pra tirar as minhas dúvidas quanto ao diagnóstico que eu recebi, bem, naquela noite eu resolvi voltar ao médico que me deu o diagnóstico. Marquei um retorno e vou lá amanhã.

Eu escrevi um roteiro do que quero falar, das minhas dúvidas sobre a doença, da minha vontade de fazer mais exames… Escrevi pra ter bem claro na minha mente, pra evitar que eu congele e perca a oportunidade de dizer o que estou sentindo e como eu acho que mais exames podem me ajudar a aderir ao tratamento com comprometimento.

A verdade é que eu estou morrendo de medo do médico não pedir os exames. Sinto uma mistura de impotência com ansiedade. Eu sei que posso ir em outro médico, ir até conseguir os pedidos de exames. Também posso pagar uma consulta particular se os médicos do convênio não quiserem pedir mais exames. Mas pensar nisso só aumenta o sentimento de impotência, e me faz muito mal. Afinal de contas é pra isso que eu tenho plano de saúde a anos… E num momento assim de maior fragilidade, me vejo mais frustrada com a desumanização da medicina ocidental.

Publicado por Keylla García

Terapeuta integrativa apaixonada por Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa. Estuda e desenvolve técnicas para o controle e alívio do estresse desde 2021. Escritora, bióloga, fotografa, videomaker, webdesigner... uma pessoa que segue, confiantemente, em direção aos seus sonhos.