Minha jornada começa aqui

Eu sempre flertei com práticas orientais como a yoga, meditação, acupuntura, aromaterapia, feng shui… Sempre flertei com ser uma pessoa atlética que corre todos os dias de manhã cedinho, que se exercita regularmente, que se alimenta conscientemente… Acontece que flertar com estes estereótipos do que “eu quero ser” nunca foi suficiente para mudar minhas atitudes. Hoje eu consigo visualizar algumas formas com que me auto-sabotei.

Por muito tempo eu coloquei a mudança que quero ter em meus hábitos como algo que deveria acontecer não apenas comigo, mas também com meu parceiro. Pode até parecer bonito: – eu quero ser saudável e quero que a pessoa com a qual divido a vida também seja. Só que na prática não é saudável em nenhum aspecto. Essa projeção colocou uma carga de responsabilidade no meu relacionamento, e toda e qualquer frustração que senti por não atingir meus objetivos encontrou um alvo conveniente. Com certeza isso gerou estresse desnecessário no relacionamento e me impediu por anos de visualizar e assumir a responsabilidade que tenho para comigo mesma.

As pessoas que eu amo e que fazem parte da minha vida são responsáveis por si mesmas. Eu não tenho como alterar suas atitudes e seus hábitos. Já é difícil de mais ter controle sobre as minhas atitudes e hábitos. Parece óbvio, mas eu levei uma década para perceber isso. Na verdade, é super recente essa percepção e estou interiorizando o aprendizado de que: quando eu me cuido, isso me transforma na pessoa que eu quero ser. E a transformação interior modifica minha forma de interagir com as pessoas que me cercam. Ao buscar meu autoconhecimento e o equilíbrio eu naturalmente cuidarei melhor das pessoas ao meu redor, não por querer que elas mudem comigo, mas simplesmente, porque minhas novas atitudes modificam minha forma de interagir com as pessoas ao meu redor. Se eu não me cuido, se eu não sou a transformação que quero ser na minha vida, os anos passam sem que eu tenha realmente plantado as sementes que quero colher. Sem que eu tenha alterado os hábitos que eu quero tanto alterar. Isso só gera frustração, pois não é possível colher frutos no futuro se meus desejos não se transformarem em ações no presente.

Mudar é extremamente difícil. É tão difícil que não foi só projetando no outro que eu me auto-sabotei. Em 2014 eu fiz um exame para intolerância a lactose que deu positivo. Na época eu não tinha muitos sintomas, tinha um intestino acelerado com fezes moles, um pouco de gases e dificuldade para ganhar peso. Nada que me incomodasse muito. Na época eu tentei cortar o leite e derivados por um tempo. Mas ao invés de focar em entender a intolerância alimentar que eu tinha, comecei a ler livros que falavam sobre o glúten. Em pouco tempo eu me convenci que o glúten fazia mais mal do que o queijo. Parei de consumir também o glúten e depois de um tempo me esqueci sobre o leite. Eu fui capaz de cortar o trigo por mais de um ano, mas a manteiga, o creme de leite, o queijo canastra, eu deliberadamente voltei a consumir, como se não tivesse recebido um diagnóstico de intolerância a lactose.

Ver os anos passarem enquanto não me torno protagonista da minha vida; Repetir os mesmos erros várias e várias vezes; Me sabotar; Começar a beber mais água e parar; Começar a meditar diariamente e perder a regularidade; Começar a me alongar por uma, duas semanas e esquecer disso por um mês… A maior dificuldade que tenho é a de tornar diária as atitudes de auto-cuidado que sei que preciso ter para viver melhor (relaxar, meditar, alongar, caminhar, yoga, alimentos saudáveis). Você já passou por algo parecido?

Alguns anos atrás – 3 exatamente – eu parei de fumar. Fumar é um vício e um hábito. Na época escrevi minhas desventuras no blog, as conquistas e as derrotas – e fazer isso me deu uma força adicional para largar o vício no cigarro. Hoje eu vejo que o hábito de viver uma vida sedentária é um vício no ócio e penso que compartilhar a minha história (da mesma forma que fiz antes, narrando as conquistas e as derrotas) pode me ajudar a mudar. É uma forma de fazer um compromisso comigo mesmo publicamente. Foi assim que eu decidi compartilhar essa jornada cósmica e contar a minha história sobre os hábitos que quero alterar na minha vida, eu tenho 35 anos, estou às vésperas de completar 36 e acredito que nunca é tarde para assumir o controle sobre meus hábitos.

A minha lista é grande, mas se eu analisar bem, cada um dos itens depende única e exclusivamente do meu esforço próprio.

1) Sedentarismo -> Caminhada e atividade física (yoga, kung fu, tai chi, qi gong);

2) Água -> Hidratação (2 Litros de água por dia);

3) Alimentação -> Cortar o leite e seus derivados; Diminuir alimentos inflamatórios; Incluir alimentos orgânicos, reduzir e excluir alimentos industriais ultra-processados;

4) Me formar acupunturista -> Como terapeuta holística eu posso ensinar as pessoas a alterarem seus hábitos, ao estimular pontos específicos da acupuntura é possível tonificar a força de vontade necessária para mover os desejos do mundo das idéias e transforma-los em atitudes concretas no mundo físico; Estou no segundo ano do curso de três anos.

Não assumir a responsabilidade sobre minhas atitudes me colocou no papel de observadora da minha vida ao invés do papel de protagonista – quer saber de uma coisa estranha? Quando eu tinha uns 12 anos de idade eu fiz alguns testes psicológicos e o psicólogo que os aplicou no final deles me disse que eu estava fazendo exatamente isso, observando a minha vida acontecer ao invés de vivê-la. Lembro que isso me deixou mal humorada, e que apesar de não esquecer este episódio eu não consegui fazer nada a respeito. Tenho uma tendência a guardar ressentimento dos profissionais de saúde que me atenderam ao longo da vida, sempre consigo fazer alguma critica que me exime da minha responsabilidade. Por mais que eu fosse uma criança pré-adolescente na época, foi uma dessas oportunidades em que alguém me disse algo que eu precisava ouvir, por isso guardei na minha memória, eu levei 2 vezes o tempo de vida que eu tinha ao escutar o que ele disse, quase 24 anos para começar a assimilar o significado daquele episódio. Mas sabe de uma coisa? Daqui a um ano, eu vou ficar feliz por ter começado a entender isso hoje.