O caos de uma mente irritada

Eu estou lendo um livro sobre a meditação vipassana. As partes que mais me chamam a atenção são as descrições a cerca dos comportamentos da mente. E por estar estudando mais sobre o assunto, tenho notado que sou uma pessoa reativa, bem mais reativa do que eu gostaria de ser.

Recentemente comecei a analisar meu comportamento com meu marido. Trabalhamos juntos em homeoffice e por isso passamos muito tempo juntos.

Percebi que nas últimas semanas sempre que nos desentendemos, minha mente não estava me dando muito tempo para pensar ao interagir com ele.

Ele me diz alguma coisa, eu respondo rapidamente. Ele acorda nervoso porque dormiu mal, e reclama da noite mal dormida, e antes que eu consiga ouvir e acolher, minha mente já decidiu que isso afeta meu humor negativamente. Hoje estava decidida a encontrar uma forma de atrasar minha reação, não responder de imediato e assim tentar evitar conflitos desnecessários.

🥠✨ Voltando ao livro, estou aprendendo que uma aspecto da minha mente é a consciência, ela recebe um estímulo sensorial, uma sensação, isso gera um pensamento ou uma emoção e depois uma reação.

Como estou muito reativa, percebi que a minha mente já passa logo para uma reação sem que eu me conecte com o que pensei ou senti naquela interação. Como se eu estivesse no automático.

🥠✨ Opa! Um insight sobre meu próprio comportamento simplesmente por estar estudando sobre meditação. Autoconhecimento é isso, ter tempo para se ver, se observar… Agora é internalizar e descobrir como tornar minha interação com meu marido menos reativa e mais acolhedora 🥠✨

Outro episódio em que pude observar o funcionamento de uma mente em desequilíbrio foi hoje pela manhã quando fui fazer uma ressonância magnética agendada para as 9:20 da manhã.

Eu já tinha tentado fazer este exame algumas semanas atrás e quando cheguei ao laboratório ele estava com um grande atraso. Tive de remarcar em função de outros exames que precisava fazer primeiro. Lembrando de como foi aquele dia no laboratório, decide levar um livro para me distrair e já fui preparada, considerando que provavelmente o exame iria demorar um bucado.

Ao chegar, fila. A atendente na recepção pediu para esperar um pouco pois o local estava cheio. Alguns minutos depois pude entrar, pegar uma senha e quando fui chamada na triagem me informaram que os exames estavam com 40 minutos de atraso.

Concordei em proceguir e aguardar. Peguei meu livro e nos próximos 40 minutos, li e fiz um post no Instagram do Biscoito Cósmico. Fui chamada ás 9:58

Me deram uma cabine, uma camisola e pediram para aguardar pois seria necessário colocar um cateter para o contraste. Quando voltei da enfermaria com a veia perfurada havia uma senhora bem nervosa na cabine ao lado reclamando de todo o atraso do exame dela.

Ela tinha perdido a chamada de seu nome para fazer o exame pois resolveu ir até uma drogaria enquanto aguardava sua vez. Os detalhes não importam muito. O fato é que ela estava nervosa e insatisfeita por ter de esperar pelo exame. Estava gritando com 3 funcionários do laboratório e dizendo que iria reclamar com o dono do laboratório.

O tempo todo em que eu aguardei até finalmente ser chamada para o meu exame, ela estava ali ao lado brigando com todos.

Fui chamada para fazer o exame umas 10:45. O exame levou cerca de 30 minutos e quando voltei para me trocar nas cabines a mulher ainda estava lá, seu marido tentava acalma-la e ela continuava a gritar.

Eu não pude deixar de notar como o nervosismo nos faz sofrer e afeta todos ao nosso redor criando uma atmosfera tensa.

Eu passei pela mesma espera e atraso que ela. Mas desde que sai de casa, fui disposta a resolver o tal exame e a esperar o tempo necessário. Enquanto estava na máquina de ressonância magnética, aproveitei pra praticar alguns exercícios de meditação, prestando atenção na minha respiração, depois nos sons ambientes e por último no meu mantra pessoal.

Isso me ajudou a distrair e fazer o tempo passar mais rápido. Quem já fez uma ressonância magnética sabe como pode ser perturbador ficar dentro daquela máquina barulhenta.

Ao sair e reencontrar aquela mulher com sua mente irritada, nervosa e agressiva, pude perceber como a mente pode gerar sofrimento e infelicidade, além de afetar não apenas a pessoa, mas todo o entorno. Eu senti compaixão por aquela mulher, por seu marido e pelos profissionais envolvidos.

11:30 fui liberada, meu marido estava me esperando em frente ao laboratório, ele tinha feito o supermercado, ido a peixaria, ao sacolão, comprado comida japonesa pro almoço e me deu flores, tulipas. Tem anos que ele não me dá flores, foi uma dessas surpresas boas que uma mente tranquila pode apreciar com gratidão 🙏🥠✨

Publicado por Keylla García

Terapeuta integrativa apaixonada por Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa. Estuda e desenvolve técnicas para o controle e alívio do estresse desde 2021. Escritora, bióloga, fotografa, videomaker, webdesigner... uma pessoa que segue, confiantemente, em direção aos seus sonhos.