3 coisas que são piores que uma gravidez na adolescência

Eu sempre escutei essa frase de amigas, de colegas, de médicos, de pessoas que falam sem pensar em quem esta ali na frente delas escutando.

Prescrever anticoncepcionais hormonais é uma das justificativas mais utilizadas por quem diz que a pior coisa que pode acontecer com uma adolescente é engravidar.

Minha sugestão para pais, mães e tutores é: leia a bula em voz alta visualizado sua filha adolescente com algum dos problemas que tomar um anticoncepcional hormonal pode causar a ela. Faça esse exercício de visualização em voz alta.

Vou citar 3 coisas que são infinitamente piores que uma gravidez na adolescência: trombose, avc e câncer de mama. Estas 3 coisas podem ser causadas por anticoncepcionais hormonais.

Não sei quanto a você, mas quando leio estas palavras eu prefiro visualizar um netinho do que um velório.

Não estou fazendo apologia a gravidez na adolescência, é preciso acolher a sexualidade nesta idade. É preciso educar as crianças e adolescentes de todos os gêneros sobre o impacto de suas escolhas em suas vidas. É preciso desmistificar o sexo, e ensinar a como evitar infecções sexualmente transmissíveis e também como evitar uma gravidez não planejada.

Sabia que existem métodos não hormonais disponíveis? No mundo conheço três: o DIU de cobre, a camisinha e o Diafragma.

Neste post vou dar ênfase ao Diafragma,por ser o método não hormonal menos conhecido pelas pessoas.

Infelizmente a única fábrica de diafragma do Brasil parou a produção em 2018 negando o método menos invasivo, mais barato e com menos efeitos colaterais para as mulheres brasileiras desde então.

Eu sei disso, pois uso o diafragma desde 2010 e comprei o último 3 meses antes deles serem descontinuados no Brasil.

Quando liguei no SAC da Semina para entender o motivo de largarem mão de um mercado onde não havia concorrência, recebi a seguinte justificativa: a fábrica passou a produzir gel lubrificante e perdeu o interesse em produzir o diafragma.

Perdeu o interesse em atender o mercado de mulheres brasileiras que não querem engravidar, mas também não querem aumentar suas chances de desenvolver câncer de mama, trombose ou ter um avc? É isso mesmo?

Durante a pandemia recebi a informação de que eles voltariam a produzir diafragmas, mas em função da pandemia estavam aguardando um momento melhor para fazer isto.

Este é o nível de comprometimento e interesse que a política publica brasileira e a iniciativa privada tem pela saúde e bem estar das mulheres. É mais fácil repetir como um mantra que a pior coisa que pode acontecer com mulheres jovens é engravidar.

Outros exemplos que sempre vêm a minha mente quando eu escuto que a pior coisa que pode acontecer com uma mulher adolescente é a gravidez, é o estupro e o feminicídio. Ser estuprada ou assassinada por um ex namorado é muito pior do que engravidar na adolescência, não concorda?

Então, onde quero chegar com este textão? Precisamos conseguir enxergar um horizonte mais amplo em relação a gravidez na adolescência, em relação a gravidez não planejada e em relação aos métodos anticoncepcionais disponíveis para as mulheres.

É preciso mudar as políticas publicas que afetam diretamente a vida das mulheres em todas as suas idades.

Hoje é evidente que as leis brasileiras foram escritas por homens e também é evidente que são guiadas por valores morais patriarcais e por isso não conseguem realmente garantir os direitos das mulheres. É urgente parar de repetir frases feitas, é urgente parar de aceitar as opções que são oferecidas no cenário brasileiro como as únicas opções, porque não são. É urgente lutar por mudanças.

Publicado por Keylla García

Terapeuta integrativa apaixonada por Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa. Estuda e desenvolve técnicas para o controle e alívio do estresse desde 2021. Escritora, bióloga, fotografa, videomaker, webdesigner... uma pessoa que segue, confiantemente, em direção aos seus sonhos.