Acupuntura e o Correr da vida pelos versos de Guimarães Rosa

Oi Biscoitinhos e Bolachinhas! Tudo bom com vocês? “O correr da vida embrulha tudo.A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,sossega e depois desinquieta.O que ela quer da gente é coragem” Guimarães Rosa Tem mais ou menos um mês que eu me sinto assim: como se vivesse nesse versinho do Guimarães Rosa,Continuar lendo “Acupuntura e o Correr da vida pelos versos de Guimarães Rosa”

Por quê está adaptação é necessária?

Quando utiliza-se a palavra “homem” para denominar genericamente “o ser humano”; “a humanidade” ou ainda “o indivíduo da espécie humana independentemente do seu sexo” — perpetua-se a ideia do sexo masculino como sexo dominante da espécie Homo sapiens. Este hábito de atribuir o significado de humanidade à palavra “homem” é particularmente comum em textos sagrados oContinuar lendo “Por quê está adaptação é necessária?”

Duas

Se toda a Terra reconhecer a existência da beleza,desta forma já se pressupõe a feiuraSe toda a Terra reconhecer a bondade,deste modo já se pressupõe a maldadeA Forma e a não-Forma geram-se mutuamenteA facilidade e a dificuldade se complementamLonga e curta se definem uma à outraAlta e baixa convivem entre siA voz e o silêncioContinuar lendo “Duas”

Três

Quando não enaltecemos as habilidades,evitamos a invejaQuando não acumulamos bens materiais,evitamos que sejam roubadosQuando não exibimos objetos de valor,evitamos que o coração das pessoas se conturbe Por isso, as pessoas sábias quando governamEsvaziam seus coraçõesEnchem os ventres de vitalidadeEnfraquecem suas ambiçõese fortalecem seus corpos São livres de pré-conceitos e desejosAo praticas a não-ação vivem emContinuar lendo “Três”

Quatro

A Tao flui sem cessarNo entanto, ela jamais transbordaEla é um abismo profundo,como a raiz das dez mil formas de existênciaCega o corteDesata os nósAtenua o brilhoUne-se a poeira do mundoLímpida como a existência eternaDesconheço sua origemParece ser ancestral a qualquer Divindade Adaptação livre de distinção de gênero, por Keylla García.

Cinco

O Céu e a Terra não são bondososPara eles, as dez mil formas são como cães de palhadestinadas ao sacrifícioA pessoa sábia não é bondosaPara ela, as dez mil formas são como cães de palhadestinadas ao sacrifícioO espaço entre o Céu e a Terra é como uma flautaVazia e ainda assim inexaurívelSe move em contínuaContinuar lendo “Cinco”

Sete

O Céu é eterno e a Terra permanenteSão permanentes e eternos,porque não vivem para si mesmosAssim, podem viver eternamente A pessoa sábia, da mesma forma,menospreza o seu Eu,e seu Eu progridedesprende-se do seu Eu,e seu Eu se conserva Como não busca nada para si,sua essência se realiza Percebe a razão de ser assim? Adaptação livreContinuar lendo “Sete”

Oito

A bondade sublime é como a águaA água, na sua bondade, beneficia todas as formasde existência sem preferênciaEla permanece nos lugares desprezadospela humanidadePortanto, é quase como a Tao Viva com bondade na TerraPense com bondade, como uma lagoaConviva com bondade, como irmãsFale com a bondade de quem tem palavraGoverne com a bondade de quem temContinuar lendo “Oito”

Nove

Querer segurar alguma coisae com isso fazê-la transbordar não vale a penaQuerer usar uma faca e mantê-la sempre afiadanão pode durar muito tempoUma sala repleta de ouro e jade é difícil de ser guardadaRiqueza e nobreza somadas à arrogânciatrazem para si a desgraçaRealizada a obra, é hora de se afastarEsta é a forma da TaoContinuar lendo “Nove”

Dez

Saberás educar a tua alma e o teu corpopara que abracem a Unidadee se tornem indivisíveis? Saberás evitar a separação desta Unidadeconcentrando a tua energia para tornar-se flexívelcomo uma criança recém-nascida? Saberás purificar a tua mente,para contemplar a Profundidade,e mantê-la sem mácula? Saberás amar a humanidade e governar a Terraatravés do não-conhecimento (wu dze)? Saberás,Continuar lendo “Dez”

Onze

Trinta raios convergem para o centro da rodaÉ o espaço vazio no centro da roda que a torna útilEscava-se a argila para modelar um vasoA utilidade do vaso esta no nada interiorAo cortar uma porta ou uma janela se cria uma passagemÉ a vacuidade da passagem que a torna útil Assim, da existência se percebeContinuar lendo “Onze”

Doze

As cinco cores cegam os olhos da humanidadeOs cinco sons ensurdecem os ouvidos da humanidadeOs cinco sabores embotam o paladar da humanidadeCorrer e perseguir alienam o coração e a mente da humanidadeBens valiosos conturbam nossas ações Por isso, a pessoa sábia cuida para atenderà necessidade do seu interiorao invés das coisas que enxerga com seusContinuar lendo “Doze”

Treze

“Honra e desonra estão relacionadas”“Avalie as aflições através da perspectiva do seu corpo” Por que se diz: “Honra e desonra estão relacionadas” ? A honra eleva, a desonra abateExperimentar esta ou aquela é assustadorpor isso se diz: “Honra e desonra estão relacionadas” Por que se diz: “Avalie as aflições através da perspectiva do seu corpo”Continuar lendo “Treze”

Quatorze

Aquela que se olha e não se vê, chama-se invisívelAquela que se escuta e não se ouve, chama-se inaudívelAquela que se abraça e não se sente, chama-se impalpávelAs três não podem ser reveladasPor isso se fundem e se tornam uma A parte superior não é claraA parte inferior não é escura A Constante que nãoContinuar lendo “Quatorze”

Quinze

As pessoas sábias da antiguidadeeram mestras em penetrar a sutil, misteriosa e profunda TaoEram tão profundas que não podiam ser compreendidasPor não poderem ser compreendidasÉ preciso esforçar-se para descrevê-las Receosas, como quem atravessa um rio no invernoCautelosas, como quem teme as quatro direçõesReservadas, como quem se hóspedaSolúveis, como a neve que derreteGenuínas, como a madeiraContinuar lendo “Quinze”

Dezesseis

Alcança a vacuidade absolutaConserva-se em plena quietudeAs dez mil formas fluem simultaneamenteContempla a transformação dos seresTodas as coisas, por mais diversas que sejam,retornam à raizRetornar à raiz chama-se quietudeQuietude significa retornar a natureza originalNatureza original significa eternidadeCompreender a eternidade é alcançar a iluminaçãoNão compreender a eternidade atrai o infortúnioConhecer a o que é imutável éContinuar lendo “Dezesseis”

Dezessete

Quando uma pessoa grandiosa governa,a multidão mal percebe sua existência Quando uma pessoa não tão grande governa,ela é amada e respeitada Quando uma pessoa inferior governa,ela é temida Quando uma pessoa má governa,ela é desprezada pela multidão Com quanta prudência há que medir às palavras ao liderar! Quando as obras se concluem e as coisasContinuar lendo “Dezessete”

Dezoito

Quando a Tao é abandonadaaparecem a moralidade e a justiçaO intelecto e a inteligência govername surge a hipocrisiaQuando a família perde a harmoniasurgem as obrigações filiais e paternaisQuando a desordem se estabelece no paíssurgem os “ministros leais” Adaptação livre de distinção de gênero, por Keylla García.

Dezenove

Anulando a religiosidade e abandonando a astúciaas pessoas se beneficiarão cem vezesAnulando os favores e rejeitando a moralidadeas pessoas retornarão ao amor fraternalAnulando a engenhosidade e abandonando a sagacidadenão haverá mais ladrões nem roubos Se estas três frases ditas não são o suficiente Então faça existir aquilo em que se possa confiarEncontre e abrace aContinuar lendo “Dezenove”

Vinte

Entre aceitar e repudiar, qual a diferença?Entre apreciar e desprezar, qual a distância?O que a humanidade teme, poderia não temer? Solidão! Quanto tempo durarás? As pessoas estão radiantes como se fossem à uma grande festaComo se saíssem à varanda na primavera Minha estrutura física não tem expressãoSou como uma criança recém-nascida que ainda não sabeContinuar lendo “Vinte”

Vinte e uma

A abrangência da vacuidade provém inteiramente da TaoA Tao gera todas as coisas de forma caótica e obscuraCaóticas e obscuras são as suas imagensE dentro dessa profunda obscuridade há uma essênciaA essência é absolutamente autênticaE dentro dela há uma sementeDesde a antiguidade até hoje o seu nome nunca foi esquecidoAtravés dela observa-se a origem deContinuar lendo “Vinte e uma”

Vinte e duas

Curvar-se permite a plenitudeSubmeter-se permite a retidãoEsvaziar-se permite completar-seRomper permite a renovaçãoPossuir pouco permite a aquisiçãoPossuir muito permite a ganância Por isso, a pessoa sábia:Abraça a Unidade e se torna um modelo sob o céuNão quer brilhar, por isso atinge a iluminaçãoNão quer nada para si, por isso é resplandecenteNão busca a fama, por issoContinuar lendo “Vinte e duas”

Vinte e três

Falar pouco é natural Uma forte ventania não dura a manhã inteiraUma tempestade não dura o dia todo Quem produz essas coisas?O Céu e a TerraSe nem o Céu e a Terra podem produzir coisas duráveisquanto mais a humanidade Por isso:A pessoa que segue a Tao, une-se a TaoA pessoa que segue a Virtude, une-seContinuar lendo “Vinte e três”

Vinte e seis

A futilidade tem sua raiz no peso do que é materialA calma é a senhora da inquietação Por isso a pessoa sábia:Viaja um dia inteiro sem se separar de sua bagagemEmbora existam maravilhas em perspectivaPermanece satisfeita em sua solidão Como pode a pessoa que possui riqueza e grandes responsabilidadesutilizar sua estrutura física levianamente sob oContinuar lendo “Vinte e seis”

Trinta e duas

A eterna Tao, é a simplicidade sem nomeapesar de pequenao mundo não pode dominá-la Se a nobreza a preservarAs dez-mil-coisas, por si mesmas, se controlam Céu e Terra unem-se para destilar a gota de orvalhoE as pessoas, por si mesmas, se governam Mas quando ocorre a limitaçãoLogo surge a necessidade de nomearQuando a necessidade deContinuar lendo “Trinta e duas”