Duas

Se toda a Terra reconhecer a existência da beleza,desta forma já se pressupõe a feiuraSe toda a Terra reconhecer a bondade,deste modo já se pressupõe a maldadeA Forma e a não-Forma geram-se mutuamenteA facilidade e a dificuldade se complementamLonga e curta se definem uma à outraAlta e baixa convivem entre siA voz e o silêncioContinuar lendo “Duas”

Três

Quando não enaltecemos as habilidades,evitamos a invejaQuando não acumulamos bens materiais,evitamos que sejam roubadosQuando não exibimos objetos de valor,evitamos que o coração das pessoas se conturbe Por isso, as pessoas sábias quando governamEsvaziam seus coraçõesEnchem os ventres de vitalidadeEnfraquecem suas ambiçõese fortalecem seus corpos São livres de pré-conceitos e desejosAo praticas a não-ação vivem emContinuar lendo “Três”

Quatro

A Tao flui sem cessarNo entanto, ela jamais transbordaEla é um abismo profundo,como a raiz das dez mil formas de existênciaCega o corteDesata os nósAtenua o brilhoUne-se a poeira do mundoLímpida como a existência eternaDesconheço sua origemParece ser ancestral a qualquer Divindade Adaptação livre de distinção de gênero, por Keylla García.

Cinco

O Céu e a Terra não são bondososPara eles, as dez mil formas são como cães de palhadestinadas ao sacrifícioA pessoa sábia não é bondosaPara ela, as dez mil formas são como cães de palhadestinadas ao sacrifícioO espaço entre o Céu e a Terra é como uma flautaVazia e ainda assim inexaurívelSe move em contínuaContinuar lendo “Cinco”

Sete

O Céu é eterno e a Terra permanenteSão permanentes e eternos,porque não vivem para si mesmosAssim, podem viver eternamente A pessoa sábia, da mesma forma,menospreza o seu Eu,e seu Eu progridedesprende-se do seu Eu,e seu Eu se conserva Como não busca nada para si,sua essência se realiza Percebe a razão de ser assim? Adaptação livreContinuar lendo “Sete”

Oito

A bondade sublime é como a águaA água, na sua bondade, beneficia todas as formasde existência sem preferênciaEla permanece nos lugares desprezadospela humanidadePortanto, é quase como a Tao Viva com bondade na TerraPense com bondade, como uma lagoaConviva com bondade, como irmãsFale com a bondade de quem tem palavraGoverne com a bondade de quem temContinuar lendo “Oito”

Nove

Querer segurar alguma coisae com isso fazê-la transbordar não vale a penaQuerer usar uma faca e mantê-la sempre afiadanão pode durar muito tempoUma sala repleta de ouro e jade é difícil de ser guardadaRiqueza e nobreza somadas à arrogânciatrazem para si a desgraçaRealizada a obra, é hora de se afastarEsta é a forma da TaoContinuar lendo “Nove”

Dez

Saberás educar a tua alma e o teu corpopara que abracem a Unidadee se tornem indivisíveis? Saberás evitar a separação desta Unidadeconcentrando a tua energia para tornar-se flexívelcomo uma criança recém-nascida? Saberás purificar a tua mente,para contemplar a Profundidade,e mantê-la sem mácula? Saberás amar a humanidade e governar a Terraatravés do não-conhecimento (wu dze)? Saberás,Continuar lendo “Dez”

Onze

Trinta raios convergem para o centro da rodaÉ o espaço vazio no centro da roda que a torna útilEscava-se a argila para modelar um vasoA utilidade do vaso esta no nada interiorAo cortar uma porta ou uma janela se cria uma passagemÉ a vacuidade da passagem que a torna útil Assim, da existência se percebeContinuar lendo “Onze”

Doze

As cinco cores cegam os olhos da humanidadeOs cinco sons ensurdecem os ouvidos da humanidadeOs cinco sabores embotam o paladar da humanidadeCorrer e perseguir alienam o coração e a mente da humanidadeBens valiosos conturbam nossas ações Por isso, a pessoa sábia cuida para atenderà necessidade do seu interiorao invés das coisas que enxerga com seusContinuar lendo “Doze”

Treze

“Honra e desonra estão relacionadas”“Avalie as aflições através da perspectiva do seu corpo” Por que se diz: “Honra e desonra estão relacionadas” ? A honra eleva, a desonra abateExperimentar esta ou aquela é assustadorpor isso se diz: “Honra e desonra estão relacionadas” Por que se diz: “Avalie as aflições através da perspectiva do seu corpo”Continuar lendo “Treze”

Quatorze

Aquela que se olha e não se vê, chama-se invisívelAquela que se escuta e não se ouve, chama-se inaudívelAquela que se abraça e não se sente, chama-se impalpávelAs três não podem ser reveladasPor isso se fundem e se tornam uma A parte superior não é claraA parte inferior não é escura A Constante que nãoContinuar lendo “Quatorze”

Quinze

As pessoas sábias da antiguidadeeram mestras em penetrar a sutil, misteriosa e profunda TaoEram tão profundas que não podiam ser compreendidasPor não poderem ser compreendidasÉ preciso esforçar-se para descrevê-las Receosas, como quem atravessa um rio no invernoCautelosas, como quem teme as quatro direçõesReservadas, como quem se hóspedaSolúveis, como a neve que derreteGenuínas, como a madeiraContinuar lendo “Quinze”

Dezesseis

Alcança a vacuidade absolutaConserva-se em plena quietudeAs dez mil formas fluem simultaneamenteContempla a transformação dos seresTodas as coisas, por mais diversas que sejam,retornam à raizRetornar à raiz chama-se quietudeQuietude significa retornar a natureza originalNatureza original significa eternidadeCompreender a eternidade é alcançar a iluminaçãoNão compreender a eternidade atrai o infortúnioConhecer a o que é imutável éContinuar lendo “Dezesseis”

Dezessete

Quando uma pessoa grandiosa governa,a multidão mal percebe sua existência Quando uma pessoa não tão grande governa,ela é amada e respeitada Quando uma pessoa inferior governa,ela é temida Quando uma pessoa má governa,ela é desprezada pela multidão Com quanta prudência há que medir às palavras ao liderar! Quando as obras se concluem e as coisasContinuar lendo “Dezessete”

Dezoito

Quando a Tao é abandonadaaparecem a moralidade e a justiçaO intelecto e a inteligência govername surge a hipocrisiaQuando a família perde a harmoniasurgem as obrigações filiais e paternaisQuando a desordem se estabelece no paíssurgem os “ministros leais” Adaptação livre de distinção de gênero, por Keylla García.

Dezenove

Anulando a religiosidade e abandonando a astúciaas pessoas se beneficiarão cem vezesAnulando os favores e rejeitando a moralidadeas pessoas retornarão ao amor fraternalAnulando a engenhosidade e abandonando a sagacidadenão haverá mais ladrões nem roubos Se estas três frases ditas não são o suficiente Então faça existir aquilo em que se possa confiarEncontre e abrace aContinuar lendo “Dezenove”

A arte de desestressar através da prosa e da poesia

Oi Biscoitinhos e Bolachinhas, bom domingo! Hoje eu compartilho uma poesia em prosa escrita por mim, os versos refletem minha formação com Bióloga, escritora, estudante de Acupuntura e amante da Medicina Tradicional Chinesa. Te convido a ler e deixar um comentário com a sua reflexão sobre o tema que abordei. — Sobre as duas estaçõesContinuar lendo “A arte de desestressar através da prosa e da poesia”

Vinte

Entre aceitar e repudiar, qual a diferença?Entre apreciar e desprezar, qual a distância?O que a humanidade teme, poderia não temer? Solidão! Quanto tempo durarás? As pessoas estão radiantes como se fossem à uma grande festaComo se saíssem à varanda na primavera Minha estrutura física não tem expressãoSou como uma criança recém-nascida que ainda não sabeContinuar lendo “Vinte”

Vinte e uma

A abrangência da vacuidade provém inteiramente da TaoA Tao gera todas as coisas de forma caótica e obscuraCaóticas e obscuras são as suas imagensE dentro dessa profunda obscuridade há uma essênciaA essência é absolutamente autênticaE dentro dela há uma sementeDesde a antiguidade até hoje o seu nome nunca foi esquecidoAtravés dela observa-se a origem deContinuar lendo “Vinte e uma”

Vinte e duas

Curvar-se permite a plenitudeSubmeter-se permite a retidãoEsvaziar-se permite completar-seRomper permite a renovaçãoPossuir pouco permite a aquisiçãoPossuir muito permite a ganância Por isso, a pessoa sábia:Abraça a Unidade e se torna um modelo sob o céuNão quer brilhar, por isso atinge a iluminaçãoNão quer nada para si, por isso é resplandecenteNão busca a fama, por issoContinuar lendo “Vinte e duas”

Vinte e três

Falar pouco é natural Uma forte ventania não dura a manhã inteiraUma tempestade não dura o dia todo Quem produz essas coisas?O Céu e a TerraSe nem o Céu e a Terra podem produzir coisas duráveisquanto mais a humanidade Por isso:A pessoa que segue a Tao, une-se a TaoA pessoa que segue a Virtude, une-seContinuar lendo “Vinte e três”

Sorte do dia

Estar presente no século XXINa década de 20É mais que algo físicoÉ algo offline Desfrutar de horinhas de descuidoÉ cuidar do relacionamentoÉ ter sempre em menteO que realmente importa Ninguém é o mesmo sempreNem você, nem euMuito menos o amor Sentimento sempre se transformaA calmaria vira tormentaE a tempestade, quietude [Versinhos da Keylla]

Sessenta e duas

A poesia sessenta duas fala sobre a imparcialidade da Tao, diferente de outras culturas a Tao não favorece ou desfavorece alguém apenas pelo bondade ou maldade de seus atos. Por mais difícil que possa ser compreender isso, quando olhamos ao nosso redor este raciocínio explica porque muitas pessoas passam pela vida impunes.